Quero ser contratado!
Kaio Correa é um recém-formado que realizou o sonho de grande
parte dos estudantes no último ano da graduação: antes mesmo de
terminar a universidade, já tinha um emprego garantido
Ana Luiza Jimenez
Depois de um ano como estagiário na área de Atendimento e Logística
da Swarovski Elements, divisão de componentes de cristal da empresa
austríaca, Kaio recebeu a notícia de que poderia ser efetivado.
Para sua surpresa, ele fora indicado pela chefe para disputar uma
vaga de assistente de Marketing, sua principal área de interesse.
“Desde o começo da faculdade eu procurava uma oportunidade nessa
área”, relata Kaio, graduado em Administração com Ênfase em
Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing
(ESPM).
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Hoje, já contratado, ele considera a efetivação resultado de seu
empenho durante o período de estágio. “Eu sempre tentei me
destacar, fazer o melhor no trabalho. Não sabia que haveria uma
vaga em Marketing, mas achava que deveria me esforçar para ter o
melhor aprendizado”, diz.
Kaio acertou em cheio ao demonstrar comprometimento com suas
tarefas e vontade de aprender. Vale lembrar que o maior objetivo do
estágio é desenvolver as competências do estudante. “Para isso, é
preciso ter iniciativa, curiosidade e aprender um pouco de tudo.
Afinal, essa é uma oportunidade excelente para o estudante entender
as áreas que têm mais relação com seu perfil”, diz Carolina
Kourroski, gerente executiva de Vendas da Kimberly-Clark. “Bom
desempenho e autodesenvolvimento é a estrada mais segura para a
efetivação”, completa.
Mesmo ocupando a posição mais baixa na hierarquia empresarial, o
estagiário não deve ter uma postura acomodada nem se limitar a
fazer estritamente o que seu cargo demanda. Muito pelo contrário.
Carolina explica que uma postura ousada pode destacar a atuação do
jovem na companhia e chamar a atenção dos gestores. “O estudante
deve entender as metas e objetivos da organização e, a partir daí,
sugerir novas práticas e ideias que farão diferença no dia a dia da
empresa”, diz ela, enfatizando o grande número de projetos de
estagiários que foram adotados pela Kimberly-Clark Brasil.
Encontre a empresa que tem a sua cara – Além de
apresentar uma série de competências comportamentais na rotina de
trabalho, como pró-atividade, autonomia, flexibilidade, engajamento
e facilidade de trabalhar em equipe, outro fator que pode
influenciar na contratação do jovem profissional ao final do
programa de estágio é o alinhamento com os valores da empresa. “Uma
preocupação que temos é que os estagiários demonstrem uma adaptação
à cultura da empresa”, afirma Tânia Casa, diretora de Recursos
Humanos da PromonLogicalis, empresa de serviços de tecnologia da
informação e comunicação.
Carolina Kourroski, da Kimberly-Clark, aponta que um erro comum
entre os jovens em início de carreira é encarar o estágio apenas
como uma realização de tarefas. Ao invés disso, esse período deve
ser aproveitado para desenvolver competências pessoais e
profissionais. Para tanto, não basta a empresa querer investir no
profissional, o funcionário também deve escolher aquela empresa
para desenvolver sua carreira. “O estagiário deve avaliar se a
companhia onde ele irá trabalhar tem ligação com seus interesses e
sua formação”, diz.
Privilegiar as atividades profissionais e deixar a faculdade em
segundo plano também pode ser uma grande armadilha para quem quer
ser contratado. A gerente de Vendas da Kimberly-Clark explica que
para garantir o sonhado contrato CLT é fundamental ficar atento ao
equilíbrio entre a faculdade e o trabalho, já que o estágio é uma
atividade complementar à formação acadêmica. “Essa atitude
garantirá que o estudante extraia o melhor das duas experiências”,
esclarece a gestora.
Comunicação aberta – Os últimos meses do contrato
estágio podem se transformar em um período cheio de incertezas e
gerar uma grande carga de insegurança nos jovens, que ficam
esperando a melhor hora para abordar o gestor. Afinal, como e
quando é melhor perguntar sobre a possível efetivação? Tânia
explica que na PromonLogicalis os estagiários são estimulados a se
comunicarem abertamente com os gestores. “Nossa comunicação é
horizontalizada, por isso, os estagiários têm liberdade para
perguntar sobre a possível efetivação”, afirma a diretora de
RH.
Entretanto, nem todas as companhias mantêm esse canal de conversa.
Nesses casos, o melhor é se informar sobre os processos da
organização e entender quando as decisões sobre futuras contrações
são tomadas, explica Carolina Kourroski. Assim, será mais fácil
lidar com ansiedade e focar no desenvolvimento profissional. “Ao
iniciar um bate-papo sobre efetivação, o ideal é começar pedindo um
feedback sobre o desempenho ao longo do estágio”, recomenda a
gerente executiva de Vendas da Kimberly-Clark. “Buscar feedbacks é
o ponto chave para o desenvolvimento de qualquer profissional”,
conclui.