Fornecedores esperam
encomendas até a virada do
ano
(Fatima Fonseca e Lia
Ribeiro)
A expectativa da indústria é que,
a exemplo de 2010, as operadoras aumentem o Capex do último
trimestre
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O ano de 2011 não foi ruim para os
fornecedores de equipamentos e serviços de telecomunicações.
Juntas, as operadoras fixas e móveis investiram nos primeiros nove
meses do ano R$ 12,2 bilhões (em igual período de 2010 foram R$ 9,4
bilhões, portanto, uma alta de 25%). "Tradicionalmente, as
operadoras investem mais no último trimestre do ano e esperamos que
este movimento se repita em 2011. Se isto acontecer, vamos chegar
aos R$ 18 bilhões", avalia Aluizio Byrro, chairman da Nokia
Siemens. Ele lembra que no último quarter de 2010 os investimentos
das operadoras somaram R$ 6,8 bilhões, totalizando R$ 16,2 bi no
ano.
Para algumas empresas, caso da Ericsson e da Promon Logicalis,
mesmo que esse investimento não aconteça, o ano de 2011 se encerra
com recorde no crescimento. Com foco no segmento IP para os
mercados de operadoras, corporativo e de grandes empresas e órgãos
de governo, a integradora Promon Logicalis registrou no primeiro
semestre de seu ano fiscal de 2012 (março a agosto de 2011) um
crescimento de 74% nas vendas para o mercado brasileiro (ela atua
também em outros países do continente). No exercício anterior
faturou US$ 280 milhões no Brasil e US$ 400 milhões, no mercado
latino-americano. Sua expectativa é fechar o atual ano fiscal com
receitas de US$ 600 milhões, US$ 400 milhões dos quais no
Brasil.
Produção de ERBs em alta
Já a Ericsson fecha 2011 com aumento superior a 30% no
faturamento e acima de 50% em novos pedidos e comemora recorde na
produção de estações radiobase. "O ano foi espetacular, não tem
outra palavra", resume Eduardo Ricotta, vice-presidente da Ericsson
no Brasil. "Tivemos crescimento forte no móvel e entramos em
projetos que não estávamos antes, conquistando novos clientes.
Conseguimos ganhar market share e vamos mais que dobrar o
crescimento em relação a 2010", antecipa Ricotta.
O crescimento se deve, em parte, a produção local da Ericsson
que, em junho deste ano, inaugurou uma nova linha de módulos
eletrônicos para estações radiobase 2G/3G em sua fábrica de São
José dos Campos, SP. "Tem vários projetos que exigem um
deslocamento rápido de equipamentos e a fábrica dá agilidade para o
atendimento dos clientes", comenta Ricotta. A fabricante encerra o
ano com uma produção de 40 mil estações radiobase, contra 19 mil em
2010 e 4 mil em 2008. Os investimentos, de R$ 10 milhões feitos na
expansão da fábrica, atendem a demanda do Brasil e demais países da
América Latina, atendidos pela subsidiária brasileira. Além de
ERBs, a fábrica produz equipamentos de acesso e do core da
rede.
O impulso das redes ópticas
A Parks, fabricante nacional de soluções de acesso para redes de
fibra, cabo coaxial ou rádio aumentou seu faturamento este ano em
40%, atingindo receita de R$ 40 milhões. Para 2012, projeta
crescimento entre 35% e 40%, mantendo o ritmo de crescimento. De
acordo com seu diretor Ivo Vargas, seu bom desempenho neste ano se
deu principalmente em soluções de acesso para redes ópticas (modem
óptico) para clientes onde se destacam provedores de acesso à
internet e municípios que estão se digitalizando. Outra empresa
nacional que fecha o ano bem é o CPqD. De acordo com seu presidente
Hélio Graciosa, a fundação vai fechar 2011 com receitas de R$ 260
milhões, contra R$ 230 milhões obtidos em 2010.
Impulsionada pelo avanço da banda larga no Brasil, a Furukawa
também comemora o desempenho em 2011, com uma série de negócios
junto ao mercado corporativo, operadoras de telecomunicações e
governo. De acordo com seu presidente, Foad Shaikhzadeh, o
crescimento da subsidiária brasileira será de 15%, com faturamento
total superior a R$ 500 milhões.
Dispositivos para telefonia móvel
Mesmo as empresas que ainda não fecharam seus números estão
otimistas. "O ano de 2011 foi bom, movimentado, com um crescimento
na banda larga fixa expressivo de 15,6% e esse percentual é apenas
na rede de acesso", lembra Marcelo Motta, diretor da Huawei. "Na
banda larga móvel, especialmente na 3G, 2011 registrou crescimento
expressivo particularmente no número de terminais", enfatiza.
Mundialmente, a Huawei deve encerrar 2011 com faturamento de US$
31 bilhões (em 2010 faturou US$ 28 bilhões). O crescimento global
também deve se registrar no Brasil, onde o faturamento da
fabricante foi de US$ 1,4 bilhão no ano passado. "Colocamos este
ano foco em devices e no mercado corporativo, duas novas áreas que
tiveram expansão no Brasil", diz o executivo. A empresa continua
com mais de 50% de participação em modem 3G e aposta nos terminais
para a convergência fixo-móvel, como o E5, modem WiFi que lançou
este ano no país, que conecta até cinco dispositivos ao mesmo
tempo.