Tendências para o mercado de TIC no Brasil em
2012
As tecnologias e tendências que terão impacto nos negócios e
no dia a dia de operadoras, empresas e do consumidor
* Lucas Pinz
O Brasil vive um momento de plena expansão de suas atividades
econômicas em praticamente todos os setores da economia, seja
infraestrutura, serviços ou indústria. Embora não esteja
completamente imune à crise internacional e às pressões
inflacionárias, aspectos macroeconômicos positivos – como
disciplina fiscal rígida, reservas cambiais acima de US$ 351
bilhões, mercado interno aquecido, balança comercial altamente
favorável e tendência de queda na taxa básica de juros – nos levam
a crer que, apesar das incertezas da economia mundial, as
perspectivas para o mercado brasileiro ainda são bastante
positivas.
Essa situação macroeconômica também torna favorável a expansão do
mercado de TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação). Em 2011,
vivemos um ano de fortes investimentos no setor de TIC com um
crescimento acima de 10% quando comparado a 2010, sendo que apenas
os projetos corporativos movimentaram cerca de US$ 60 bilhões, de
acordo com o Gartner.
Para os próximos três a quatro anos, a previsão é que o mercado TIC
brasileiro cresça anualmente (CAGR) entre 12% e 14%. O IDC projeta,
apenas no Brasil, investimentos da ordem de US$ 120 bilhões em
2012, com 65% desse valor destinados a infraestrutura e serviços de
telecom.
Nesse cenário tão positivo, o que o ano de 2012 deve trazer para a
indústria de tecnologia e seus usuários? Quais são as principais
tendências tecnológicas que movimentarão o setor e influenciarão a
vida dos usuários ao longo este ano?
1. Tablets
A Apple certamente
revolucionou o mercado de tablets com a introdução do iPad, em
2010. Hoje, esse novo item eletrônico já está estabelecido – e é um
dos principais sonhos de consumo na sociedade atual. Mas o que isso
significa para o mercado de telecomunicações como um todo? Um
tablet consome 500% mais dados que um smartphone. Segundo a
Business Insider, a cada 60 segundos são comprados 81 novos iPad e
milhares de aplicativos são baixados.
E não é só a Apple que tem feito sucesso. O novo tablet da Amazon,
o Kindle Fire, somente em dezembro de 2011 vendeu um milhão de
unidades por semana, segundo dados da própria Amazon. Um recorde
que nem mesmo a Apple conseguiu. O Google, com o Android, também
tem tomado uma boa fatia do mercado e há previsão de continuidade
no forte crescimento mundial. No Brasil, estima-se que já foram
vendidos cerca de 500 mil tablets. Embora não exista ainda nenhum
dado oficial, a previsão para o mercado nacional é que essa
quantidade mais que duplique em 2012, apenas em importações
legais.
O mercado brasileiro de tablets em 2012 deverá ter ainda um impulso
adicional, devido à desoneração fiscal para equipamentos produzidos
no Brasil o que, com o câmbio estável, poderá reduzir o preço final
em até 30%.
2. Windows 8
Novo sistema operacional
da Microsoft, o Windows 8 estará disponível ao mercado em 2012.
Assim como aconteceu com versões anteriores, certamente a sua
adoção será gradativa. O grande diferencial tende a ser o seu
desempenho para equipamentos com tela sensível ao toque e a
inicialização cerca de 70% mais rápida, segundo dados do
fabricante. O W8 provavelmente terá suporte à conexão USB 3.0,
Internet Explorer 10, reconhecimento de voz e suporte aos
processadores ARM (Acorn RISC Machine), que hoje respondem por
cerca de 90% dos processadores embarcados RISC de 32 bits presentes
em PDA, POS, periféricos, calculadoras, entre outros
equipamentos.
3. Smartphones
Os smartphones
dominarão o mercado móvel em 2012. Segundo a Anatel, em novembro de
2011 havia 236 milhões de celulares habilitados no Brasil. Apenas
16,4% eram 3G e menos de 6% smartphones. Mas a previsão é que o
crescimento de vendas de smartphones no Brasil, em 2011, seja de
mais de 44% se comparado a 2010. Alguns fabricantes trarão para o
Brasil equipamentos com preços mais acessíveis, caso da Nokia que
anunciou uma linha (Asha) com preço inferior a R$ 300.
Os grandes interlocutores nesse mundo de celulares inteligentes
certamente continuarão sendo Apple e Google. A Nokia deve
ganhar espaço com o Windows Phone e a fabricação de alguns modelos
no Brasil (ex: Lumia 710). Com relação à RIM rondam
incertezas.
Algumas mudanças no mercado terão de ser endereçadas pelos
fabricantes de smartphones. No passado, HTC e outras fizeram
sucesso, pois o ambiente corporativo muitas vezes exigia soluções
baseadas/compatíveis com ambiente Microsoft. Hoje a realidade mudou
e o sucesso também vai depender da habilidade de atrair o
ecossistema de desenvolvedores. Especialmente a Nokia terá esse
desafio pela frente. O ponto favorável à parceria
Nokia/Microsoft é que a finlandesa tem um excelente relacionamento
com as operadoras, e isso certamente poderá ajudar a impulsionar o
Windows Phone.
4. Redes Sociais
As redes sociais
continuam entre as tendências para 2012. Tanto sob a ótica dos
consumidores quanto das empresas, o uso das mídias sociais deve
continuar crescendo e amadurecendo, criando novas possibilidades de
negócios. Entre as aplicações que se espera para este ano está o
Social Commerce, que prevê a realização de transações diretamente
nas redes, influenciando a compra dos demais contatos.
A polêmica dos “social gestures”, ou gestos sociais, também promete
esquentar as discussões em 2012. Um dos exemplos é um aplicativo
lançado pelo Facebook, em setembro de 2011, que permite que tudo o
que o usuário escuta, lê ou assiste seja postado no perfil,
automaticamente.
5. TV Everywhere
Em 2012 veremos a
popularização do acesso à internet pela TV. Novos produtos, tanto
em termos de dispositivos quanto de serviços, farão deste segmento
um promissor campo de investimentos e consumo – o que deve ser mais
uma preocupação para provedores de conectividade, já que o tráfego
de dados (em vídeo) deve aumentar sensivelmente.
Outra tendência será a TV Everywhere. Nos EUA já é comum operadoras
de TV a cabo – como Dish Network, Time Warner e Comcast –
oferecerem TV, ao vivo e on-demand, por meio dos mais variados
dispositivos conectados à internet (tablets, computadores,
smartphones). Certamente começaremos a ver as primeiras
implementações deste tipo de serviços pelas operadoras locais em
2012.
6. Reconhecimento de Gestos e Voz
O
reconhecimento e controle por voz não é em si uma grande novidade.
Mas nunca foi tão apurado. Um exemplo recente é o aplicativo Siri,
da Apple, presente no iPhone 4S que permite o envio de SMS, criação
de recados, procura na WEB, entre outras funções, apenas usando
comandos de voz. Uma tendência para 2012 é a utilização desse
tipo de aplicativo em outros dispositivos. Quem sabe o controle
remoto não passe a ser substituído por aplicativos como o
Siri?
Já a Microsoft transformou ficção em realidade com o Kinect. Um
equipamento que identifica gestos e que, em 2012, não será apenas
utilizado como console de jogos. Inúmeras aplicações, que vão desde
aplicações médicas até o controle de sistemas residenciais, estão
sendo testadas usando a tecnologia do Kinect.
7. NFC e pagamento móvel
É provável
que 2012 seja o ano em que o pagamento com dispositivos móveis se
torne comum ou, pelo menos, mais acessível. A tendência não é nova,
mas a entrada de algumas empresas, como Google e Apple, aumentam a
expectativa de que o smartphone tranforme-se em um “cartão de
crédito ou débito”. Especula-se que 2012 será o ano do NFC (Near
Field Communication), tecnologia que permite a comunicação sem fio
por proximidade. Um exemplo de aplicação do NFC para
pagamento via smartphone é o Google Wallet, sistema desenvolvido
pelo Google que equipa a linha NEXUS S 4G da operadora
norte-americana Sprint e que funciona em conjunto com o sistema
PayPass, da MasterCard. Estima-se que, em 2013, 20% dos celulares
estarão equipados com sistema NFC. Além do Google Wallet, outros
serviços baseados nas tecnologias de pagamento móvel já estão
disponíveis, como Visa Wallet, Serve (American Express) e
ISIS.
No Brasil, já há alguns anos existem sistemas iniciativas desse
tipo, entre as quais se pode destacar Oi Paggo, N-Token, MarterCard
Mobile (chip Vivo) e MPO (Claro/Bradesco). Esses sistemas, no
entanto, utilizam SMS em vez do NFC para confirmação de
pagamento.
Com uma base ainda pequena de assinantes no Brasil, espera-se que
os serviços de pagamento via dispositivo móvel cresça
significativamente em 2012.
8. HTML5
O protocolo HTML5 tende a
ocupar, em 2012, um forte espaço no segmento de aplicativos para
dispositivos móveis. De acordo com estudo da Strategy Analytics, em
2011 cerca de 340 milhões de celulares tinham suporte ao HTML5 e,
em 2012, esse número mais que dobrará.
Agora, com o anuncio da Adobe sobre o fim do Flash para o mercado
móvel, o HTML5 não tem mais competidor à sua altura. O HTML5
(Hypertext Markup Language, versão 5) é uma linguagem para
estruturação e apresentação de conteúdo na WEB.
9. Context Aware
A computação baseada
em contexto usa as informações a respeito dos usuários – como suas
atividades, localização, conexões e preferências – para melhorar a
qualidade da interação. O Gartner, que coloca “Context Aware” como
uma das top 10 tendências de 2012, diz que em 2015, 40% dos
usuários de smartphones no mundo optarão por provedores que
conheçam suas atividades e necessidades diárias.
Em 2014, o instituto projeta que existam mais de 1,4 bilhões de
usuários que utilizem serviços baseados em localização. Mas as
aplicações devem ir muito além. Uma aplicação “context-aware”
poderia, por exemplo, saber qual o seu time preferido, quando ele
iria jogar e onde comprar os ingressos mais próximos de você.
Em 2012, espera-se que inúmeras novas aplicações baseadas em
contexto estejam disponíveis.
10. Cloud
A computação em
nuvem permanece como uma importante tendência para 2012, assim como
foi no ano passado. As empresas fornecedoras em geral se
preocuparão ainda mais em desenvolver modelos e aplicativos
híbridos entre nuvens públicas e privadas, aumentando a segurança
para aplicações críticas e reduzindo custos ao terceirizar a
hospedagem de serviços que não sejam “core business”. Ao
mesmo tempo, o consumidor espera ver posturas mais firmes em termos
de SLA e QoS das empresas prestadoras de serviços de cloud.
Em parte motivado pelo mercado de computação em nuvem, o mercado
brasileiro de data center também deve passar por forte aquecimento
em 2012. Entre os temas de destaque para o setor estão comunicações
unificadas baseadas em nuvem; virtualização de servidores e rede; o
amplo uso de rede de baixo custo 10 Gbps Ethernet, juntamente com
tecnologias DCB (data center bridging) e FCoE (Fiber Channel over
Ethernet) fará com que finalmente a convergências LAN/SAN e seus
benefícios econômicos tornem-se realidade; estima-se que os
servidores virtualizados gerarão mais tráfego do que uma conexão
10GE seja capaz de suportar.
11. BYOD
(consumerização)
Tablets e smartphones já ocupam um
lugar de destaque na vida das empresas e do consumidor quando
pensamos em ferramentas de trabalho. Os desktops estão cada vez
mais ficando relegados a trabalhos que requerem muita digitação e
processamento. Portanto, 2012 é o ano da mobilidade nas empresas.
Essa tendência ganha força uma vez que o mercado de aplicativos
móveis corporativos está explodindo, com softwares mais amigáveis e
com o nível de segurança desejado pelos administradores de TI. O
conceito “anywhere, anytime”, estará ainda mais presente.
Além da mobilidade, 2012 passa a ser um ano importante quando
pensamos na adoção de uma variedade bastante grande de dispositivos
pelos funcionários. Quem passa a determinar o dispositivo de
trabalho é o usuário e não mais a empresa, ou seja, BYOD (Bring
your own device). A empresa tem de adequar a sua rede e
infraestrutura a essa nova realidade que tem o vídeo como umas das
suas aplicações mais críticas e massivas.
12. 3G Offload / Wifi
O
crescimento exponencial no número de dispositivos móveis com maior
capacidade e necessidade de uso de dados causou uma explosão no
consumo de dados nas redes das operadoras móveis. Mundialmente
estima-se que o tráfego IP gerado por dispositivos como
smartphones, tablets e computadores portáteis, cresça 92%
anualmente. Na América Latina esse crescimento será ainda maior,
chegando a 111% ao ano.
Suportar todo esse crescimento de tráfego demandará das operadoras
de telecomunicações grandes investimentos nas suas redes móveis,
especialmente 3G e 4G. Em especial no Brasil, grandes eventos como
Rock in Rio, Rio+20, Copa das Confederações, Copa do Mundo e Jogos
Olímpicos e Paraolímpicos acelerarão ainda mais esses
investimentos.
Até bem pouco tempo atrás as operadoras em geral não viam as redes
Wi-Fi como uma possível extensão de suas redes moveis 2,5G e 3G.
Porém, com a crescente migração do modelo de negócios
baseados em voz para baseados em pacotes de dados, as
operadoras tem percebido que podem ter grandes vantagens sob o
ponto de vista de custos e qualidade, ao utilizar redes Wi-Fi como
alternativa para o transporte de dados móveis.
Estudo de caso realizado pela Devicescape com 1 milhão de
smartphones, mostra que cada dispositivo WiFi pode “aliviar” o
tráfego 3G em cerca de 40%.
Em 2012 espera-se que as operadoras em geral, não só móveis mas
também fixas, invistam pesadamente em redes WiFi públicas, seja
para fazer o offload do tráfego de dados da rede celular para a
rede Wi-Fi, seja para ter uma oferta complementar ao seu serviço de
banda larga.
Adicional: em 2012 ainda veremos as primeiras versões de chip-sets
e equipamentos com suporte a Giga-WiFi, ou seja, transmissão WiFi a
velocidades entre 1Gbps a 7Gbps.
13. LTE
O LTE (Long Term Evolution) é um novo padrão de redes de
comunicação móveis, que pode ser chamada de 4ª geração. Esta nova
tecnologia de rádio permite velocidades de 100Mbps de downlink e
50Mbps de uplink. A tecnologia já possui mais de 7 milhões de
usuários no mundo, e os EUA são o país que concentra a maior
quantidade de redes com suporte a LTE.
No Brasil, veremos em 2012 os primeiros testes com a nova
tecnologia, que deve ficar restrita aos modems USB para conexão
móvel em laptops, e não smartphones. Grande parte das
operadoras móveis já está se preparando para realizar esses
testes.
O leilão da Anatel da faixa de frequência 2.5GHz (4G) está previsto
para o primeiro semestre de 2012, embora existam ainda discussões
sobre qual a melhor freqüência para o LTE no Brasil.
14. IPv6
O Brasil já acordou
para a necessidade de implementação do IPv6. A próxima geração do
protocolo base da internet é a solução para o esgotamento dos
endereços IP públicos na versão atual (IPv4). Assim a internet
poderá continuar crescendo.
Em 2011, várias operadoras iniciaram testes ou até mesmo
implementações do IPv6 em suas redes. Em 2012, veremos ainda mais
implementações nas telcos brasileiras, com oferta de serviços banda
larga em IPv6, acesso IPv6 para empresas, maior quantidade de
conteúdo na nuvem IPv6 e as áreas de TI das empresas iniciando
testes e implementações.
15. Banda Larga (VDSL2, HSPA+, DOCSIS 3.0,
FTTH)
Segundo o site teleco.com.br, a Banda Larga Móvel deve continuar
sendo o serviço que mais cresce em 2012. As operadoras estão
aumentando a velocidade do acesso ao investir em tecnologias como
HSPA+ e conexão das ERBs via ethernet e fibra óptica.
As operadoras de cabo continuarão investimento na modernização
das suas redes de acesso através da plena compatibilização de sua
infra com a norma DOCSIS3.0
Já as operadoras fixas tendem a aumentar em 2012 seus
investimentos em FTTH (fibra) até o usuário final, embora não
releguem os investimentos em VDSL2 como alternativa de menor custo
para aumentar a banda final para o usuário.
Outras tendências:
• MVNO
Veremos as primeiras
implementações de MVNO no Brasil em 2012.
• M2M
Com o lançamento, por parte de
algumas operadoras como a VIVO, de pacotes de dados para aplicações
Machine-to-Machine, veremos em 2012 um expressivo crescimento (mais
de 100%) desse tipo de serviço. Estima-se que o tráfego M2M
crescerá 40 vezes entre 2010 e 2015, sendo gerado pelas mais
diversas aplicações como: segurança e vigilância residencial e
empresarial, setores de saúde e educação, medidores de energia,
máquinas sef-service, sensores residenciais e monitoramento de
veículos.
* Lucas Pinz é Gerente de Tecnologia da
PromonLogicalis.