Comunicação por vídeo x demanda por
conectividade
Enquanto a evolução tecnológica
permite que mais usuários – corporativos e residenciais – utilizem
esse tipo de solução, surgem dúvidas sobre a capacidade da
infraestrutura existente
*Lucas Pinz
Uma pesquisa conduzida e divulgada pela Cisco em junho deste
ano, mostrou que, em 2010, o tráfego global de vídeo na internet
superou o volume de dados trocado por aplicativos peer-to-peer.
Atualmente, cerca de 40% de todo o conteúdo trafegado na internet
consiste em vídeos – e esse número deve chegar a 62% até o final de
2015.
No ambiente corporativo, observamos cenário bastante semelhante.
Com o crescimento da adoção de soluções de comunicação por vídeo
(as soluções de videoconferência terão crescimento médio de 41%
entre 2010 e 2015), o tráfego IP gerado pelas empresas deve crescer
a uma taxa média anual de 24% nos próximos anos.
O fenômeno não é exclusividade dos chamados países
desenvolvidos. Os mercados emergentes devem ter papel fundamental
nessa tendência. Segundo a pesquisa da Cisco, o tráfego IP gerado
pela América Latina deve alcançar a marca de 4,7 hexabytes por mês
em 2015, crescendo a uma taxa anual de 48%. No Brasil, o IDC estima
que em 2015 sejam quase 50 milhões de usuários de video pela
internet, sejam eles residenciais ou corporativos.
Já não há dúvidas sobre as vantagens de se usar a comunicação
multimídia nas mais diversas aplicações, entre as quais destacam-se
reuniões virtuais (que trazem agilidade à tomada de decisão e
redução de custos), comunicação corporativa (transmissão de
informações a múltiplos receptores), segurança patrimonial,
relacionamento com clientes e publicidade. Um relatório divulgado
pela Internet Retailer, em março de 2011, mostra, por exemplo, que
potenciais compradores que podem visualizar um vídeo do produto em
que estão interessados têm 144% mais chances de concluir a
transação.
Está claro, então, que a infraestrutura de rede é peça chave e
deve ser capaz de suportar a crescente demanda por tráfego de tempo
real, como vídeo e VoIP, sem que a experiência do usuário seja
prejudicada. Assim, a pergunta que surge frente a um cenário atual
e futuro como o que se desenha é: como o mercado lidará com o
impacto desse crescimento exponencial do tráfego de vídeo para a
infraestrutura das redes, sejam elas públicas ou privadas?
Além dos provedores de serviços de conectividade, as corporações
também precisam avaliar suas infraestruturas de rede para verificar
se elas estão adequadas à demanda que está por vir – ou, em alguns
casos, já existe – e, em caso negativo, se preparar para o novo
cenário.
Padrões de tráfego e requerimentos de infraestrutura
IP
Uma das principais aplicações corporativas para comunicação, a
videoconferência, por exemplo, é sensível a atrasos e perdas de
pacotes. Nesse caso, em geral a infraestrutura da rede IP deve
suportar um jitter ≤30ms e uma perda de pacotes ≤1%. Já para
telepresença, a rede IP deve tratar um tráfego ainda mais sensível,
com jitter ≤10ms, a perda de pacotes ≤0,05% e a grande necessidade
de banda.
Já as aplicações de vídeo IP para segurança patrimonial (IP
surveillance), tratam-se basicamente de streaming com algumas
necessidades especiais e o total de banda necessária depende da
quantidade de visualizações simultâneas. A infraestrutura de rede,
por sua vez, deve ser pensada de forma que a latência seja ≤ 150ms,
o jitter ≤10ms, a perda de pacotes ≤0,05% e os requerimentos de
banda podem variar de 200kbps a até 3,5 Mbps.
Quando falamos apenas de tráfego de video streaming e
sob-demanda, os requerimentos de rede são mais leves, já que delay
e jitter, na maior parte das vezes, não são problema. Porém,
a perda de pacotes torna-se um requerimento importante e a rede IP
deve suportar perdas ≤0,05% para tráfego HD, por exemplo.
Considerando os padrões de tráfego mencionados anteriormente
podemos concluir que uma arquitetura de rede IP ideal para suportar
tráfego de vídeo, deve conter:
• Alta disponibilidade (implementar políticas de NSF/SSO,
VSS, failover sub-second, etc)
• Otimização de banda e latência (acesso em GigaE e
distribuição e núcleo em 10GigE ou maior. A implementação de
multicast pode ser necessária)
• Confidencialidade (implementar políticas de proteção dos
dados e autenticação dos end-points)
• Isolamento de aplicações sensíveis (ex: implementar
VRF-Lite)
• QoS (implementar QoS granular para assegurar os níveis de
qualidade de serviço necessários)
Uma vez os requisitos acima sejam atendidos e corretamente
planejados pelos administradores de TI das empresas, é possível dar
aos usuários a qualidade de experiência (QoE) que aplicações de
vídeo demandam.