É chegada a hora da colheita
Juan González, gerente de pesquisas da Frost & Sullivan,
faz suas avaliações e previsões sobre o presente e o futuro do
mercado de videoconferência na América Latina
A recente crise global afetou o mercado de
videoconferência? Qual é a situação atualmente?
Podemos dizer, sim, que a crise global que teve inicio em 2008
impactou o mercado de videoconferência, especialmente porque a
maior parte dos clientes para ese tipo de solução são empresas
multinacionais. Mas parece que esse momento já ficou para tras, e
que as empresas estão retomando o ritmo de investimentos, com
destaque para a América Latina. Segundo um estudo que realizamos,
no final de 2010, o mercado latino-americano de videoconferência
(em que consideramos México, América Central e Caribe, região
Andina, Brasil e Cone Sul) gerou receitas de cerca de US$ 78
milhões. Em termos de produtos, estão incluídos nesse mercado três
categorias de equipamentos: telepresença, infraestrutura e
terminais (para salas de videoconferência e para escritórios
individuais).
Quais são as perspectivas de crescimento?
A
expectativa é que a taxa composta de crescimento anual (CAGR) desse
mercado gire em torno de 21% entre 2010 e 2017. Com isso, deve-se
chegar a movimentar US$ 294 milhões no final do período. De
qualquer forma, o crescimento não é uniforme para todos os
segmentos que compõem o mercado. As soluções de telepresença, por
exemplo, devem ter um crescimento acima da média, ficando em cerca
de 27% ao ano no período que vai até 2017. Essas diferenças também
acontecem quando segmentamos os clientes por porte: entre as
pequenas e médias empresas, hoje com baixa penetração desse tipo de
solução, o crescimento deve ser maior. Considerando a situação em
cada país, os destaques nos próximos anos são Brasil e México.
Que fatores explicam esse crescimento?
Nos
últimos anos, a videoconferência foi muito impulsionada pela
globalização da economia e, consequentemente, das empresas,
trazendo benefícios em termos de produtividade, redução de custos
com viagens e acompanhando a tendência de mobilidade dos
profissionais. Ainda que se espere que esses elementos permaneçam,
existem outros fatores que passam a atuar: em primeiro lugar,
nota-se um maior interesse por parte das empresas pela
videoconferência. Além disso, as soluções estão cada vez mais
acessíveis, o que torna possível a adoção por empresas de menor
porte. Em terceiro lugar, o preço dos equipamentos de alta
definição estão caindo, ao mesmo tempo em que os fabricantes
ampliam os esforços para a interoperabilidade das soluções. E,
finalmente, espera-se que a adoção do modelo “como serviço”, assim
como os esforços dos principais players em integrar a solução às
suas ofertas de comunicações unificadas, resultem em aumento da
demanda.
Quais são os principais obstáculos para o
desenvolvimento desse mercado?
Em um primeiro nível
de análise, existem três elementos que têm sido barreiras para o
desenvolvimento pleno do setor. As mudanças constantes nas linhas
de produtos e nas estratégias dos fabricantes, assim como a grande
variedade de oferta confundem os clientes, que acaba atrasando a
adoção. Além disso, a falta de clareza dos modelos de negócios
disponíveis e os preços, que até pouco tempo atrás ainda eram
altos, também levaram os clientes a postergarem a adoção. Por
último, a baixa qualidade na infraestrutura e a (falta de) largura
de banda em muitos países da região também atuam como barreira para
o desenvolvimento do setor.
Em um outro nível de análise, pode-se identificar outros dois
obstáculos adicionais, porém com menor peso. Um está ligado às
incertezas em relação ao futuro da economia global, que complicam
os cálculos de retorno de investimento. O outro fator é a falta de
ofertas interessantes para as pequenas e médias empresas. Mas
acreditamos que esta última barreira deva ser superada em
breve.
Como se diferencia a proposta de valor de cada produto de
videoconferência?
Para analisar a relação entre os
diferentes produtos, construímos uma matriz que combina custo e
experiência do usuário. Assim, é possível ver que existem soluções
disponíveis para todos os níveis de preços e necessidades.
Para clientes que precisem de soluções mais sofisticadas, sugerimos
as soluções de telepresença, que trás a experiência mais próxima
possível das reuniões presenciais, mas tem proporcional demanda por
banda e custo de implementação mais elevado.
Na outra ponta, temos as soluções integradas aos computadores
pessoais, que demandam investimentos marginais em hardware e podem
utilizar a rede de dados já instalada, sem a necessidade de
adequações. Entre elas, encontramos as salas e os sistemas de
videoconferência individuais. Uma avaliação de custos e das
necessidades dos clientes permitirá definir qual é a solução ideal
dentre as diversas opções disponíveis atualmente no mercado, tanto
em termos técnicos quanto de modelo de aquisição, para cada
situação específica.