Como enfrentar o caminho das nuvens sem
turbulência
O crescimento da computação em nuvem tem entre os principais
impulsionadores as áreas de negócios que, cada vez mais, exigem
agilidade do departamento de TI
*Luís Minoru Shibata
No Brasil, o número de médias e grandes
empresas que usam algum tipo de aplicação em computação em nuvem
deve crescer 60% nos próximos dois anos, de acordo com números do
IDC. Enquanto, atualmente, menos de 20% das corporações brasileiras
de médio e grande porte têm alguma aplicação na nuvem, elas podem
chegar a 35% em 2013. Os números deixam claro que cloud
computing não é apenas mais um hype tecnológico e
que, como se tem dito, trata-se de um caminho sem volta. Assim, a
questão não é mais para onde ir, mas quando e como enfrentar este
percurso.
O crescimento da computação em nuvem tem entre
os principais impulsionadores as áreas de negócios que, cada vez
mais, exigem agilidade do departamento de TI. Os usuários querem
respostas rápidas para suas necessidades, sistemas e infraestrutura
que suportem oscilações na demanda dos clientes e flexibilidade
para acessar sistemas corporativos de qualquer lugar, por meio do
dispositivo que lhes for mais conveniente.
O dia a dia mostra, entretanto, que, por mais
que os gestores de TIC de grandes corporações enxerguem os
benefícios, ainda são raros os casos em que eles sentem-se
seguros em apostar no novo modelo para aplicações e informações
críticas dos negócios. Assim, neste momento o uso de computação em
nuvem por grandes empresas divide-se entre os que procuram serviços
públicos para aplicações de baixa criticidade e aqueles que
preferem investir na transformação de seus data centers em nuvens
privadas.
Nesse último caso, usando conceitos e
tecnologias típicos das nuvens públicas, as nuvens privadas
oferecem às áreas de TI corporativas a possibilidade de entregar
aos usuários internos capacidade computacional e de armazenamento
sob demanda, cobrada conforme o uso e acessada de qualquer lugar
(dentro da rede corporativa). Equação que dá, como resultado, mais
flexibilidade aos usuários, sem abrir mão da segurança de
acesso.
É claro que nada é assim tão simples. Para que
o modelo das nuvens privadas traga os resultados almejados, mais do
que investir em tecnologias de virtualização e em mudanças técnicas
do data center, é preciso que haja uma transformação cultural da
área de TI e do CIO, que passa a trabalhar realmente como um
prestador de serviços de tecnologia para as demais áreas da
empresa. O caminho para essa nova postura inclui barreiras
culturais difíceis de serem transpostas e demanda determinação e
suporte da direção da corporação.
Já o modelo de hospedagem na nuvem pública vem
sendo usado em todo o seu potencial apenas para aplicações muito
específicas, como testes de software, por exemplo. Com a “roupagem”
do SaaS (software as a service), a disseminação torna-se mais
consistente. Após o sucesso de aplicações para automação de força
de vendas, e-mail e CRM, a bola da vez parecem ser as soluções de
colaboração. Telefonia IP, videoconferência, telepresença e outros
sistemas de comunicações unificadas já podem ser contratados “como
serviço”, reduzindo os investimentos iniciais e trazendo, por meio
do pagamento de uma taxa mensal, benefícios muito semelhantes aos
que seriam alcançados pelos clientes ao adquirir as soluções e
implementá-las internamente.
Independentemente do caminho escolhido – que,
muitas vezes, é exatamente a combinação dos dois mundos, formando
as chamadas nuvens híbridas – fica claro que as corporações estão
na fase de experimentação desse novo modelo de entrega de TIC. O
importante é que o gestor fique atento com o timing desses testes
para que não seja surpreendido por uma avalanche de serviços de
cloud adquiridos diretamente pelas áreas de negócios. Afinal, o que
a computação em nuvem promete é exatamente aproximar o usuário da
complexidade dos ambientes de TI com a simplicidade de alguns
cliques.
*Luís Minoru Shibata é Diretor de
Consultoria da PromonLogicalis